Dentro dos próximos 15 dias o juiz da Infância e da Juventude de Jaú, Guilherme Eduardo Mendes Tarcia e Fazzio, deve expedir a sentença do jovem acusado de matar e decapitar o servente de pedreiro Rodolfo Donizete de Oliveira, 26 anos, no Jardim Alvorada, em Itapuí. Conforme o magistrado, a fase de interrogatórios foi concluída e o Ministério Público apresentou suas alegações. Falta apenas a manifestação da defesa do acusado, que deve ocorrer em cinco dias.
O crime, que chocou a população de Itapuí, ocorreu no dia 25 de dezembro de 2009, oito dias antes de o acusado completar 18 anos de idade. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por ser menor de idade na época, o rapaz responderá por ato infracional equiparado a homicídio. Neste caso, a sanção aplicada pelo juiz pode variar de três meses a três anos de internação.
Oito testemunhas – cinco de defesa e três de acusação – foram ouvidas no final da tarde de ontem em audiência realizada no Fórum de Jaú. Os trabalhos foram conduzidos pelo juiz Tarcia e Fazzio e pelo promotor da Vara da Infância e da Juventude de Jaú, Alexandre Barbieri Junior. O Comércio conversou com familiares da vítima e do acusado.
A mãe da vítima, a artesã Eunice Flores de Oliveira, 49 anos, relata que, quando acordou às 7h30 do dia de Natal com o barulho de um machado, encontrou na sala de casa o filho caído com o acusado sobre ele, tentando cortar sua cabeça. Ao ser visto, segundo ela, o jovem se assustou e teria partido para cima da artesã com uma faca. Eunice conta que conseguiu sair do imóvel pela porta dos fundos e procurou abrigo na casa da vizinha. O filho de Rodolfo, de 8 anos, presenciou a cena e saiu correndo.
De acordo com a Polícia Militar de Itapuí, depois de cortar a cabeça do servente de pedreiro com uma faca, o jovem a teria exibido por ruas do Jardim Alvorada, até abandonar a cabeça da vítima em uma esquina. O garoto teria tentado fugir, escondendo-se em um matagal nas proximidades do bairro, mas depois teria mudado de ideia e se entregou aos policiais militares. A motivação do crime seria passional. Os familiares, no entanto, não confirmam essa versão.
“Ele (o acusado) disse que era para eu parar de gritar, que ele ia levar o ‘troféu’. Ninguém tem o direito de entrar na sua casa, matar seu filho dormindo com uma machadada e cortar o pescoço. Meu filho tinha muita vida e eu quero Justiça”, fala Eunice. O servente de pedreiro deixou três filhos pequenos e a companheira grávida.
Ameaça
Já a mãe do acusado, a dona de casa Cleide Venâncio da Silva, 36 anos, diz que o filho era ameaçado de morte pela vítima. “Eu mesma fui ameaçada por ele quando era dona de um bar em Itapuí, por causa de dinheiro. Meu filho vinha sendo ameaçado e se cansou. Mas eu tenho fé em Deus que logo ele estará na rua trabalhando, junto com a família”, afirma Cleide.
O garoto estava morando em outra cidade e foi passar o Natal com o pai em Itapuí. Ele não tinha passagens pela polícia. Atualmente, ele está recolhido na Fundação Casa de Bauru. |