A partir da zero hora do dia 6 de março as tarifas das linhas intermunicipais em todo o Estado de São Paulo sofrerão reajuste de 4,22%. A portaria que dispõe sobre o aumento foi publicada na edição de 12 de fevereiro do Diário Oficial do Estado pela Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
Ao contrário do reajuste concedido em 2009, o deste ano ficou abaixo do índice de inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizado como parâmetro pelo governo brasileiro, fechou em 4,31% em dezembro de 2009.
No ano passado, a agência de transporte aprovou aumento de até 9,07%, ao passo que o IPCA de 2008 havia acumulado alta de 5,90%. Na ocasião, as empresas de ônibus que operam na região concederam reajuste das tarifas entre 7,42% e 9,52%.
A assessoria de imprensa da Artesp informa que a alteração nos preços representa a recomposição dos custos operacionais das empresas que atuam no setor. São levados em conta variações de preço de diversos itens, como custos administrativos, autopeças, pneus, etc.
Segundo o órgão, mais de 228 veículos zero-quilômetro foram incluídos na frota do transporte intermunicipal do Estado de São Paulo em 2009, permitindo mais conforto e segurança dos usuários. A assessoria relata também que do total de acidentes ocorridos em 2009 na malha rodoviária estadual, apenas 1% envolveu ônibus do sistema intermunicipal do Estado.
Reclamação
As empresas que operam no terminal rodoviário de Jaú ainda não receberam oficialmente informações sobre os novos preços a serem praticados. O Comércio utilizou o porcentual determinado pela Artesp para calcular os valores que passarão a vigorar a partir de 6 de março (veja quadro). É possível que haja mudanças por causa de enquadramentos de valores.
Os passageiros reclamam da majoração. “Tudo aumenta, menos o salário”, reclama a técnica em enfermagem Mary Helen Gouveia, 25 anos. “Acho que deveria ser um porcentual menor porque os aumentos costumam ser abusivos.”
O aposentado Anézio Mor, 60 anos, e a técnica em enfermagem Josiane Santos, 29 anos, concordam. “Estou me mudando de Jundiaí para Jaú e terei de usar bastante o ônibus”, diz. Para o técnico em enfermagem Cleófas Felipe, 23 anos, o problema é que falta concorrência entre as empresas de ônibus, as quais detêm o monopólio no transporte.
A aposentada Elza Mari Rizzo, 58 anos, diz que utiliza pouco o serviço, mas acredita que o impacto será grande para quem necessita de ônibus. Em sua opinião, as firmas deveriam adotar critérios diferenciados para cobrança da passagem de acordo com o ponto onde o usuário toma o veículo. Para o tratorista Ezequiel Napoleão Inácio, 41 anos, o reajuste de 4,22% está dentro do razoável. |